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Início em maio de 2010

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Seja Bem Vindo!


"Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim.
Ou são ramos da mesma árvore majestosa.
Portanto, são todas verdadeiras."

Mahatma Gandhi



Muita paz, muita luz a todos!


Examina o sentido, o modo e a direção de tuas palavras, antes de pronunciá-las. Emmanuel

Pesquisa

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Decomposição e sustentabilidade da Natureza numa cogitação à luz do Espiritismo

http://www.oconsolador.com.br/ano7/339/especial.html
http://www.oconsolador.com.br/ano7/339/especial.html54

JORGE HESSEN
jorgehessen@gmail.com
Brasília, Distrito Federal (Brasil)


Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança natural extremamente sensível. Precisamos ficar atentos aos alertas dos peritos, pois já está demasiado claro que é apenas uma questão de tempo para as consequências funestas das previsões começarem a afetar, brutalmente, as nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos.

A Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para autorregular suas funções. (1) Nesses últimos anos, os Estados Unidos passaram pela pior seca em mais de um século. Grandes extensões de terra da Rússia também não tiveram chuva suficiente. Até mesmo as temporadas de monções na Índia têm sido profundamente afetadas. Na América do Sul, o índice pluviométrico tem permanecido abaixo da média histórica. (2)

Por que tanta ingratidão para com a Natureza, que trabalha sem cessar em nosso favor, oferecendo-nos recursos ilimitados? Lembremos que ela sofre e “reage” à agressão. No Sul do Brasil têm surgido com mais frequência inundações e ciclones quase sempre com cortejos de tragédias. Nos Estados Unidos os “tornados” vão estremecendo as estruturas da sociedade americana. Na Europa e em outras partes da Terra observamos o verão cada vez mais incandescente, causando incêndios em várias florestas, sem antecedentes na História.

Estudos atuais atestam que a “mudança climática tem levado à morte cerca de 300 mil pessoas por ano, de fome (3), de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil dentro de 15 anos”. (4) Estima-se que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade. Kardec, ao questionar a espiritualidade em “por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, recebe uma resposta que exemplifica bem o que vivemos hoje: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se”. (5) 

DESPERDÍCIO DA ÁGUA 

Os recursos "renováveis" que se consomem e sua influência sobre o equilíbrio ambiental não podem ser relegados a questões de pouca gravidade, mormente levando-se em consideração o desperdício na utilização da água potável e outros recursos naturais. Não é arriscado afirmar que nos dias vindouros esse manancial venha a ser o pretexto mais evidente de guerra no planeta.
Realmente há um gravíssimo problema a considerar: estamos usando mal a água potável. Sabe-se que no Brasil quase metade (isso mesmo, 50%) do volume recolhido nas fontes não chega até as torneiras das residências. Há, no meio do trajeto, vazamentos nos encanamentos, erros na medição do consumo e desvios provenientes de ligações clandestinas. O levantamento é do ISA (Instituto Socioambiental), organizador da campanha “De Olho nos Mananciais”, que tem por objetivo alertar a população para o uso racional da água. Essa realidade é verdadeiramente preocupante. Esse recurso está ficando cada vez mais escasso.
Segundo pesquisas atuais – é importante salientar – a perda de água nas capitais brasileiras é de 6,14 bilhões de litros por dia, ou seja, 2.457 piscinas olímpicas, a cada 24 horas. Isso equivale a 45% de toda a água retirada das fontes. A ONU recomenda o uso de 110 litros, por habitante, por dia. 

RECOMENDAÇÕES PARA USO DA ÁGUA NO DIA A DIA 

Aprendamos, pois, a economizar água nas diversas situações da vida cotidiana. A exemplo do banho diário, habituemo-nos a fechar a torneira enquanto nos ensaboarmos durante o banho. Quando escovarmos os dentes, molhemos a escova, fechemos a torneira e, ao enxaguarmos a boca, usemos um copo com água. Ao lavarmos as mãos, lavarmos o rosto, ou ao fazermos a barba, sejamos igualmente racionais. Mantenhamos a válvula da descarga bem regulada e reparemos quaisquer vazamentos, assim que forem identificados. Ao lavarmos a louça, primeiramente, limpemos os restos de comida contidos nos pratos e nas panelas, para em seguida usarmos a esponja com sabão, previamente molhada. Para finalizarmos a tarefa, abramos a torneira para enxaguá-los. Lavar roupa também exige disciplina. Deixemos acumular uma quantidade razoável de peças, lavando-as de uma só vez, pois assim estaremos usando racionalmente esse tão precioso líquido. Após colocarmos água no tanque, não há necessidade de mantermos a torneira aberta enquanto ensaboamos a roupa, e aproveitemos a água do enxágue para lavar o quintal. Dessa forma, estaremos economizando não somente água, mas energia elétrica (para quem usa máquina de lavar). Quanto aos jardins, molhemos as plantas, usando um regador, em vez de utilizarmos a mangueira. Ao limparmos a calçada, basta que usemos a vassoura. 

UM TERÇO DOS ALIMENTOS VAI PARAR NO LIXO 

É urgente que se crie uma mentalidade crítica que permita estabelecer novos comportamentos, de olho na sustentabilidade da vida terrena. A sociedade deve fundar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor à natureza. Existem variados tipos de desperdício de difícil quantificação, mas identificáveis pelas lupas dos estudiosos, seja na construção civil, no saneamento básico, no funcionalismo público etc.
Muitos de nós já presenciamos nas estradas brasileiras o desperdício de grãos transportados nas carrocerias dos caminhões que, numa rápida passada de olho, parece-nos “insignificante.” No entanto, esse desperdício representa uma significativa perda para os cofres públicos, que poderia ser evitado não fosse o descaso das autoridades competentes, em nossas rodovias, quanto a fiscalizar com maior rigor o transporte de tais produtos. Como se não bastasse, há ainda o sério problema da estocagem de grãos, feita de maneira imprópria em vários armazéns do país, de que temos notícia, redundando em vultosos prejuízos para a Nação. Até quando?
Cerca de um terço dos alimentos produzidos no Brasil vão parar no lixo, sem qualquer chance de aproveitamento. O processo de perda de produtos tem início logo após a colheita, na zona rural. Muitos alimentos são encaixotados sem cuidado e em recipientes inapropriados. Nas situações inusitadas, igualmente, presenciamos desperdícios. Quantas vezes observamos nos banheiros públicos alguns usuários que, para enxugar as mãos, utilizam em excesso papel-toalha, quando duas folhas são o suficiente? É um gesto “insignificante”, que revela falta de educação e respeito ao próximo, o desperdício de material coletivo. A cidadania plena deve ser exercida nos pequenos gestos que, no conjunto da população, fazem uma grande diferença. São inúmeras as pequenas ações que poderiam ser educadas, por exemplo: torneira aberta, luz acesa, lixo nas ruas, poluentes no ar e nos rios etc. Tudo isso pode ser evitado se paralelamente à educação familiar fosse incluída a cidadania familiar. 

CATÁSTROFES COLETIVAS 

A natureza tem reagido à nossa indiferença. Muitas coletividades são alcançadas pelos terremotos, enchentes, furacões, desabamentos de encostas, tsunamis etc. Se nos estatutos de Deus não há espaços para o acaso, logo as catástrofes coletivas têm sua razão de ser, considerando que a vida nos oferta aquilo que a ela damos. A rigor, antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados na espiritualidade dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato por si só não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas para sua consumação, uma vez que a lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida.
Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal e da indiferença à vida será trazido de volta às vias do bem pela própria lei. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. Dizendo "quem com ferro fere, com ferro será ferido", Jesus corroborou a lei de Ação e Reação, ou de Causa e Efeito, amplamente ensinada pelo Espiritismo. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, cap. V de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento por que se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento". (6)
Naturalmente a Lei é para todos nós. Emmanuel nota que “quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. E antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém o fato, por si só, não é determinístico, até porque dependem de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que, como disse acima, a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, até porque o amor rege a vida e “o amor cobre uma multidão de pecados” (7); portanto, podemos resgatar dívidas do antanho, através da prática do Bem.
Dessa forma, os que são vitimados pelos fenômenos naturais, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não o são por causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus". (8) É verdade! Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza, mas isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. Por mais complexos que sejam os desafios a encarar, por conta do próprio desmazelo humano, potencializemos a vontade de nos harmonizar com a natureza e ajustemo-nos com  as Leis de Deus, inscritas na consciência de cada um. 

INFLUÊNCIA AMBIENTAL 

Sem dúvida, o clima e o meio ambiente exercem grande influência sobre todos nós. A realidade climática é constituída de vários elementos, a saber: temperatura, chuva, umidade, ventos, massas de ar e pressão atmosférica. Esses elementos sofrem a influência de vários outros fatores, como por exemplo: a posição astronômica e geográfica da região ou país, a configuração do território, as altitudes e as linhas mestras do relevo, fenômeno meteorológico etc.. Em face disso, Emmanuel admoesta: "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória, com poderosas influências sobre a personalidade. Faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência". (9)
Atualmente a ciência está transformando radicalmente o nosso modo de vida junto à Natureza. A invasão tecnológica é tão evidente especialmente no uso de smartphones, por exemplo, em que podemos acessar a Internet, enviar e receber e-mails, mensagens de texto, ver TV, ouvir músicas, baixar filmes, tirar fotos, usar GPS e, obviamente, fazer uma ligação telefônica. Não há dúvida de que os computadores nos poupam de tarefas rotineiras, permitem que façamos compras e operações bancárias sem sair de casa, ajudam-nos também a manter contatos com pessoas ou corporações através de e-mails, correio de voz ou vídeos e até mesmo  fazer amizades. Sim, e daí?
Em que pese todo esse recurso tecnológico, lamentavelmente ainda amargamos os contrastes dessa soberana ciência no palco da informática, da telecomunicação, ao tempo em que ainda temos que conviver com muita insensibilidade ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece, considerando a Lei de Evolução, a necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”. (10) Realmente, a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. 

CONSCIÊNCIA CRÍTICA  

Urge que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos paradigmas comportamentais tendo como escopo a sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção da interdependência e complementaridade entre os indivíduos gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio do meio ambiente. O cientista Stephen Hawking, em seu livro "O Universo numa Casca de Noz", expõe de forma curiosa que "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. (11) Explica que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima”. (12)
A Federação Espírita Brasileira, juntamente com os centros espíritas, podem e devem contribuir para maior conscientização dos espíritas sobre a necessidade de preservação dos recursos naturais, “estudando e debatendo sobre o tema à luz do Espiritismo; desenvolvendo campanhas e eventos que visam melhorar as condições socioambientais; utilizando para as publicações impressas, como livros, revistas, mensagens avulsas etc., papel reciclado e tintas que reduzem o impacto ambiental; usando mais o correio eletrônico para reduzir o uso de papel, tinta etc.; publicando obras que analisem estes temas sob a ótica espírita; estimulando a pesquisa nas obras fundamentais da Doutrina Espírita para melhor compreendermos a necessidade de cuidar do planeta e fundamentarmos as ações e as campanhas de sensibilidade ecológica; proporcionando, mediante treinamento, a inserção da temática ambiental à luz do Espiritismo no das atividades educativas de evangelizadores espíritas da infância e da juventude, bem como, de facilitadores do ESDE no âmbito do Ser promovendo uma ética ambiental alicerçada na fraternidade preconizada pelo Cristo e no sentido mais amplo de família universal que se pode apreender do Espiritismo”. (13)
Enquanto as doridas transformações desses momentos de ruína moral se anunciam, ao tilintar sinistro das moedas, ecoando nas bolsas de valores, as forças espirituais se reúnem para a grande reconstrução da Nova Era. Aproxima-se o instante em que todos os valores morais humanos serão revistos, para que, com novas energias criadoras, um novo modelo de mundo triunfe sobre a carga destrutiva das consciências insanas que hoje habitam o educandário da vida. Nesse fenômeno, o ensinamento de Jesus não passou e não passará jamais. 

O EVANGELHO EM FAVOR DA NATUREZA 

Ante os impactos ambientais, recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção humana em favor da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Madre Teresa de Calcutá, de Chico Xavier. Na luta sofrida das civilizações, Jesus é o archote do princípio, e nas Suas sacrossantas mãos repousam os destinos da Terra. Não podemos olvidar que Ele é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.
Do exposto, saibamos compreender que a Natureza “é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos. Nos reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita; e, no quadro sem-fim do trabalho de experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal”. (14) 

Referências bibliográficas:

1 Teoria que afirma ser o planeta Terra um ser vivo. Apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, a Teoria de Gaia, também conhecida como Hipótese Gaia, diz ser a biosfera terráquea capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições de meio ambiente.
2 Disponível no site
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121016_alimentos_crise_dg.shtml
3 Pelo menos 56 países estão em uma situação "grave" ou "muito grave" por suas insuficiências alimentícias, como Eritreia, Burundi e Comores, segundo o Índice Global da Fome de 2013 apresentado em Berlim. O Índice Mundial da Fome, que chega a sua oitava edição neste ano (2013), é resultado de um trabalho elaborado em conjunto pelo Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e as ONGs Concern Worldwide e Welthungerhilfe, da Irlanda e da Alemanha, respectivamente. Disponível no site  "http://www.efeservicios.com"www.efeservicios.com acesso 13/10/2013
4 Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra
5 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 705
6 Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, item 9, cap. V

7 I Pedro, 4:8

8 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536
9 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 121
10 Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.
11 Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
12 Idem
13 Bertoldo Helena da Silva. Entrevista para Revista O Consolador “É urgente desenvolver ações educativas que preservem o meio ambiente”, disponível no site http://www.oconsolador.com.br/ano4/194/entrevista.html acesso 16/10/2013
14 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, pergs. 27, 28 e 121, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 200.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O CAJUEIRO AMIGO




 Em momentos como os que vivemos, em que se presencia a destruição indiscriminada de árvores antigas, para extração ilegal de madeiras nobres; em que muitos ainda pensam mais em seus cofres e contas bancárias do que na agressão ao meio ambiente, nada mais oportuno do que se falar do amor à natureza.

 Humberto de Campos, em seu livro Memórias conta que, aos dez anos de idade, a família se mudou para o Piauí, na cidade de Parnaíba.

 No dia seguinte ao da mudança para a pequena casa, toda cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco, encontrou um amigo.

 Humberto estava no banheiro tosco, próximo ao poço, quando seus olhos descobriram no chão, entre as pedras grosseiras, uma castanha de caju.

 Ela acabara de rebentar, inchada, no desejo vegetal de ser árvore. Dobrado sobre si mesmo, o caule parecia mais um verme, um caramujo a carregar a sua casca, do que uma planta em eclosão.

 A castanha ainda guardava as duas primeiras folhas úmidas e avermelhadas, como duas joias flexíveis que tentassem fugir do seu cofre.

 Com a autorização de sua mãe, o pequeno Humberto plantou a castanha, a uns trinta ou quarenta metros da casa.

 Fez uma pequena cova, enterrou aí o projeto de árvore e o cercou com pedaços de tijolo e telha.

 Regou-o e o protegeu contra a fome dos pintos e a irreverência das galinhas.

 Todas as manhãs, ao lavar o rosto, deixava cair a água desse momento alegre sobre a plantinha. Com afeto, acompanhou a multiplicação das suas folhas tenras.

 Três anos mais tarde, Humberto se separou de seu amigo cajueiro pela primeira vez, para residir no Maranhão. Anos depois, foi morar no Rio de Janeiro.

 Vez ou outra voltou à Parnaíba para visitar o amigo.
 Próximo de seu regresso ao mundo espiritual, retornou para uma última visita ao seu cajueiro e escreveu:

 Ele não me conhece mais. Eu estou homem; ele está velho. A enfermidade cava-me o rosto, altera-me a fisionomia, modifica-me o tom de voz.

 Ele está imenso e escuro. Quero abraçá-lo e já não posso...
 Então me volto e parto. E me sinto a viver como ele, com os pés na lama, dando, às vezes, sombra aos porcos.

 Mas, também, às vezes, dourado de sol lá em cima, oferecendo frutos aos pássaros e pólen ao vento.

 No milagre divino do meu sonho, sangrando resina cheirosa, com o Espírito enfeitado de flores que o vento leva e o coração, aqui dentro, cheio de mel e todo ressoante de abelhas.

 Humberto de Campos desencarnou. O amigo fiel continuou a oferecer os mesmo frutos doces de outrora.

 Nos galhos retorcidos pelo tempo, com a exuberância do seu verde vivo, a árvore centenária ainda está lá, demonstrando que o amor se estende e prospera em todos os reinos da natureza.

 Ainda há muito amor a exercitarmos no mundo para com nossa mãe natureza.


 por Momento Espírita. Redação do Momento Espírita, a partir do artigo Meu cajueiro, publicado na revista O espírita, de janeiro/abril 2009. Do site: http://momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2305&stat=0.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Movimento Passe Livre - Uma visão diferente sobre as manifestações - 13....

Em Defesa da Vida


Alma irmã, escuta-me!
Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião.

Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou do regaço da Natureza ...

Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a benção da luz.
Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!

A mulher nasceu para ser, por excelência, mãe da própria ou da carne alheia.
Não te envergonhes nunca de permitir que a vida se te manifeste pelo corpo, na condição de co-criadora que és ao lado de Deus.

Ser mãe é desdobrar a alma em santificantes lições de amor, doando-se e fruindo o licor inefável da felicidade.
Pensai que a cada pai e a cada mãe Deus perguntará:
Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?

Extraído dos Livros Religião dos Espíritos, Terapêutica de Emergência e O Evangelho Segundo o Espiritismo. www.concafras.com.br.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Carta Paterna




Meu filho, não tinhas razão em favor da cólera.

Vi, perfeitamente, quando o velhinho se aproximou para servir-te.

Trazia um coração amoroso e atento que não soubeste compreender.

Deste uma ordem que o pobrezinho não ouviu tão bem, quanto desejavas. Repetiste-a e, porque novamente te perguntasse qualquer coisa, proferiste palavras feias, que lhe feriram as fi­bras mais íntimas.

Como foste injusto!...

Quando nasceste, o antigo servidor já ven­cera muitos invernos e servira a muita gente.

Enfraqueceram-se-lhe os ouvidos, ante as imperiosas determinações alheias.

Nunca refletiste na neblina que lhe enevoa o olhar? Adquiriu-a trabalhando à noite, enquan­to dormias, despreocupado.

Sabes porque traz ele as pernas trêmulas? Devorou muitas léguas a pé, solucionando problemas dos outros.

Irritas-te, quando se demora a movimentar-se a teu mando. Contudo, exiges o automóvel para a viagem de dois quilômetros.

Em muitas ocasiões, queixas-te contra ele. É relaxado aos teus olhos, tem as mãos íles­cuidadas e a roupa não muito limpa. Entretanto, nunca imaginaste que o apagado servidor jamais encontrou oportunidades iguais às que recebeste. Além disto, não lhe ofereces o ensinamento amigo e nem tempo para cogitar das próprias necessidades espirituais.

Reclamas longos dias para examinar pequenina questão, referente ao teu bem-estar; to­davia, não lhe consagras nem mesmo uma hora por semana, ajudando-o a refletir...

Respondes, enfadado, quando o velho compa­nheiro te pede alguns níqueis, mas não vacilas em despender pequenas fortunas com amigos ociosos, em noitadas alegres, nas quais te mergu­lhas em fantasioso contentamento.

Interrogas, ingrato: que fizeste do di­nheiro que te dei?

Esqueces que o servo de fronte enrugada não dispôs de tempo e recurso para calcular, com exatidão, os processos de ganhar além do necessário e não conseguiu ensejo de ilustrar o raciocínio com o refinamento que caracteriza o teu.

Ah! meu filho, quando a impaciência te visita o espírito, recorda que o monstro da ira indesejável te bate à porta do coração. E quando a ele te entregas, Imprevidente tuas conquistas mais elevadas tremem nos alicerces. Chego a des­conhecer-te porque a fúria dos elementos interiores te alteram a Individualidade aos meus olhos e eu não sei se passas a condição de criança ou de demônio!...

Se não podes conter, ainda, os movimentos impulsivos de sentimentos Perturbadores, chegado o instante do testemunho cala-te e espera.

A cólera nada edifica e nada restaura... Apenas semeía desconfiança e temor, ao redor de teus passos.

Não ameaces com a voz, nem te insurjas Contra ninguém.

É provável que guardes alguma reclamação contra mim, teu pai, Porque eu também sou ainda humano. No entanto, filho, acima de nós ambos permanece o Pai Supremo, e que seria de ti e de mim, se Deus, um dia, se encolerizasse contra nós?

XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã. Pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mahatma Gandhi-Biografia


Fonte:




Mohandas Karamchand Gandhi (em hindi: मोहनदास करमचन्‍द गान्‍धी; em guzerate: મોહનદાસ કરમચંદ ગાંધી; Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi (do sânscrito "Mahatma", "A Grande Alma") foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.[1]
O princípio do satyagraha, frequentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racismo, incluindo Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Freqüentemente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).[2]

Juventude

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade de Porbandar, na Índia ocidental, hoje estado de Gujarat. Seu pai era o primeiro-ministro local, do mínusculo principado,[3] e a mãe era uma devota vaisnava.
Como era costume em sua cultura nesta época, em maio de 1883 com a idade de 13 anos, a família de Gandhi realizou seu casamento arranjado adulto com a mulher Kasturba Gandhi, de 14 anos,[4] através de um acordo entre as respectivas famílias.[2]


Formação na Inglaterra

Depois de um pouco de educação indistinta foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar Direito na University College.[5] Ele ganhou a permissão da mãe, prometendo se abster de vinho, mulheres e carne, mas ele desafiou os regulamentos de sua casta, que proibiam a viagem para a Inglaterra. Cursou a faculdade de Direito em Londres.[2]
Procurando um restaurante vegetariano, havia descoberto na filosofia de Henry Salt um argumento para o vegetarianismo e convenceu-se dessa prática. Ele organizou um clube vegetariano onde se encontravam teósofos e pessoas com interesses altruísticos.
Sua primeira leitura do Bhagavad-Gita[6] foi através de parábolas em língua britânica com tradução poética de Edwin Arnold: A Canção Celestial. Esta escritura hindu e o "Sermão da Montanha", do Evangelho, se tornaram, mais tarde, suas "bíblias" e guias de viagens espirituais. Ele memorizou o Gita em suas meditações diárias, e frequentemente recitou no original sânscrito, em suas orações.


A vida na África do Sul


Gandhi em seu escritório de advocacia na África do Sul.
Quando Gandhi voltou à Índia, em 1891, sua mãe havia falecido, e ele, devido a timidez não obteve êxito a exercer sua profissão legal de advogado. Assim, aproveitou a oportunidade que surgiu de ir para África do Sul, durante um ano, representando uma firma hindu em KwaZulu-Natal, em um processo judicial.[1]
Sua estadia na África do Sul, notório local de discriminação racial, despertaram em Gandhi a consciência social. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ter notoriedade por sua atuação. Ele mesmo relata: "eu aprendi a descobrir o lado bom da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir partes separadas".[7]
Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar incriminar o inocente.[carece de fontes] Ao término do ano, durante uma festa de despedida, de retorno à Índia, Gandhi tomou conhecimento que uma lei estava sendo proposta para privar os hindus do voto. Os amigos dele insistiram: "fique e conduza a briga para os direitos de nossos compatriotas na África do Sul."[carece de fontes] Gandhi fundou em KwaZulu-Natal o Congresso hindu em 1894, e seus esforços foram uma vigorosa advertência para a imprensa.


Gandhi e sua esposa Kasturba Gandhi em foto de 1902.
Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Uma delas foi a tentativa de subornar e ameaçar o agropecuário Dada Abdulla Sheth; mas Dada Abdulla era cliente de Gandhi, e finalmente depois de um período de quarentena, Gandhi recebeu permissão para aterrissar. A turba de espera reconheceu Gandhi, e alguns brancos começaram a espancá-lo até que a esposa do Superintendente Policial veio ao salvamento dele. A turba ameaçou linchá-lo, mas Gandhi escapou usando um disfarce.


Gandhi com o "Indian Ambulance Corps" durante a "Segunda Guerra dos Boers" 1899-1900.
Depois ele se recusou processar os que o haviam espancado, permanecendo firme ao princípio de ego-restrição com respeito a uma pessoa infratora; além de que, tinha sido os líderes da comunidade e do governo de Natal que haviam causado o problema.[2]
Em 1906, o governo britânico declarou guerra contra o Reino Zulu em Natal, Gandhi incentivou os britânicos a recrutar índianos.[8] Ele argumentou que estes deveriam apoiar os esforços de guerra, a fim de legitimar suas reivindicações à cidadania plena.[8] Os britânicos aceitaram oferta de Gandhi para liderar um destacamento de 20 voluntários índianos como um corpo padioleiro para tratar dos soldados feridos. Esse corpo foi comandado por Gandhi e operou por aproximadamente dois meses.[9] A experiência ensinou-lhe que era impossível desafiar diretamente o poder militar do exército britânico, ele decidiu que este só poderia ser resistido de uma forma não-violenta.[10]
Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida, e em 1906 levou o juramento de Brahmacharya para o resto da vida dele.
Separou-se em 1908, quando já tinha quatro filhos, para viver com Hermann Kallenbach, um arquiteto alemão de origem judaica que emigrara para a África do Sul e viria a tornar-se um de seus discípulos mais próximos. Viveram sob o mesmo teto por dois anos, separando-se quando Gandhi retornou à Índia em 1914. Mantiveram contato por correspondência e Gandhi prometeu não olhar mais para uma mulher com intenções impuras.[11]

Satyagraha, a força da verdade


 Caricatura de Gandhi representando o potencial explosivo junto à opinião pública mundial de sua desobediência civil contra o registro imposto pelo governo sul-africano. 


O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906. O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. 

Os hindus formaram uma massa que se encontrou no Teatro Imperial de Joanesburgo;[2] eles estavam furiosos com a ordem humilhante, e alguns ameaçaram exercer uma resposta violenta a ordem injusta. 

Porém, eles decidiram em grupo a se recusarem a obedecer as providências de inscrição; havia unanimidade, apenas alguns se registraram. Ainda, Gandhi sugeriu aos indianos que levassem um penhor em nome de Deus; embora eles fossem hindus e muçulmanos, todos acreditavam em um e no mesmo Deus. Gandhi decidiu chamar esta técnica de recusar submeter a injustiça de Satyagraha que quer dizer literalmente: "força da verdade".

 Uma semana depois de desobediência, as mulheres Asiáticas foram dispensadas do registro.[1] Quando o governo de Transvaal finalmente pôs em pratica o "Ato de Inscrição Asiático" em 1907, Gandhi e vários outros hindus foram presos. A pena dele foi de dois meses sem trabalho duro, dedicando-se durante esse período à leitura. 

Durante a vida, Gandhi passaria um total de mais de seis anos como prisioneiro. Enquanto lendo em prisão Gandhi travou contato, por carta, com Leon Tolstoi, um de seus ídolos. O escritor russo com suas ideias libertárias influenciou o indiano e indicou a este a leitura de Henry David Thoreau. Gandhi descobriu então a Desobediência Civil. Também teve papel importante a obra do pensador anarquista Kropotkin. Logo ele começou a perceber cada vez mais as possibilidades infinitas do "amor universal". O movimento de protesto para a conquista dos direitos indianos na África do Sul continuou crescendo; em um certo ponto foram presos 2.500 indianos dos 13.000 existentes na província, enquanto 6.000 tinham fugido de Transvaal.

 Sendo civil aos oponentes durante a desobediência, Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa que significa "sem dor" e normalmente é traduzido "não violência". Gandhi seguiu o Ódio de preceito "o pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas. Assim ahimsa é a base da procura para verdade". "Tolstoy Farm", em 1910. Gandhi também foi atraído a vida agrícola simples. Ele começou duas comunidades rurais em Satyagrahis: "Phoenix Farm" e "Tolstoy Farm". Escreveu e editou o diário "Opinião indiana", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Três assuntos foram apontados: a indagação para direitos dos hindus na África do Sul; sobre a proibição de imigrantes Asiáticos; e por fim, sobre o invalidamento de todos casamentos não Cristãos. Gandhi sendo confrontado por um policial ao liderar os mineradores hindus em greve de Newcastle ao Transvaal em protesto contra o "Ato da Imigração" em 1913. Gandhi vestido como satyagrahi, ativista da não-violência, em 1913.

 Em novembro de 1913 Gandhi conduziu uma marcha com mais de duas mil pessoas. Gandhi foi preso e solto após pagar fiança. Logo após o prenderam novamente e o libertaram, e novamente foi preso depois de quatro dias de liberdade. Foi então condenado ao trabalho forçado durante três meses, mas as greves continuaram, envolvendo aproximadamente 50.000 operários e milhares de indianos foram escravizados na prisão. 

Alguns missionários Cristãos doaram todo seu dinheiro para o movimento. Foram libertados Gandhi e outros líderes, e foi anunciada outra marcha. Porém, Gandhi recusou tirar proveito através de uma greve em uma estrada de ferro dos "brancos" (já que certa vez Mahatma Gandhi havia sido expulso de um compartimento de primeira classe de um trem, ao se recusar a "ceder" o seu lugar a um branco e se mover para a terceira classe), sendo que Gandhi cancelou a marcha, apesar de estar "quebrando" o penhor de Sujeira (1908).[1] "Perdão é o ornamento do valente", Gandhi explicou. Finalmente através de negociação os assuntos estavam resolvidos. 

Todos os matrimônios independente da religião eram válidos; os impostos em atraso foram cancelados e inclusive os operários contratados; e foi concedida mais liberdade aos indianos. Gandhi constatou o poder do método de Satyagraha e profetizou como poderia transformar a civilização moderna. "É uma força que, se ficasse universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo." Enquanto isso a Índia ainda estava sofrendo debaixo de regra colonial britânica. Gandhi sugere que a Índia pode ganhar sua independência por meios não violentos e por via da ego-confiança. Ele rejeita a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia. 

Retorno à Índia

De volta a Índia em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não violência.

 O uso da não violência baseava-se no uso da desobediência civil. Gandhi estava pronto para morar nas ruas sujas com os intocáveis se necessário, mas um benfeitor anônimo doou bastante dinheiro que duraria um ano. Passa então a ajudar os necessitados e as crianças carentes. 

Em 1917 Gandhi ajudou as pessoas que trabalhavam em tecelagens, diante das explorações injusta dos proprietários sobre esses trabalhadores. Ele foi detido, mas logo perceberam que o Mahatma era o único que poderia controlar as multidões. 

Reformas foram ganhas novamente por meio da desobediência civil. Os trabalhadores têxteis de Ahmedabad também eram economicamente oprimidos. Gandhi sugeriu uma greve, e como os trabalhadores temiam as consequências dela, ele faz um jejum para encorajar que eles continuem a greve. Gandhi explicou que ele não jejuou para coagir o oponente, mas fortalecer ou reformar esses que o amaram. Ele não acreditou que jejuando resultaria em salários mais altos. 

Gandhi jejuando, foto da década de 1920, a criança ao lado é Indira Gandhi, filha de Nehru e futura Primeira Ministra da India.

 O primeiro desafio de Gandhi contra o governo britânico na Índia estava em resposta contra os poderes arbitrários do "Rowlatt Act" em 1919. 

A Índia tinha cooperado com a Inglaterra durante a guerra, no entanto estavam sendo reduzidas as liberdades civis. Guiado por um sonho ou experiência interna Gandhi decidiu pedir um dia de greve geral. Porém, a filosofia de Mahatma não foi bem entendida pelas massas, e violências estouraram em vários lugares. 

O Mahatma se arrependeu declarando que tinha feito "um erro de cálculo", e ele cancelou a campanha. Gandhi fundou e publicou dois semanários sem anúncios - a "Índia Jovem" em inglês e o "Navajivan" em Gujarati.

 Em 1920 Gandhi iniciou uma campanha de âmbito nacional de não cooperação com o governo britânico que para o camponês significou o não pagamento de impostos e nenhuma compra de bebida alcoólica, desde que o governo ganhou toda a renda de sua venda. Gandhi realizou várias viagens ao longo de todo território hindu, com a função de conseguir a conscientização em massa de todas as pessoas, mostrando a necessidade da prática da desobediência civil e do uso da não violência. Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-biografia retratando suas experiências vividas, nesse livro, descreve os erros cometidos, e o esforço de os superar. Apelo de Gandhi ao povo de Bombaim, publicado em 1919 no semanário "Índia Jovem" ("Young India").

 Em suas falas ele exibe através dos dedos da mão seu programa de cinco pontos: igualdade; nenhum uso de álcool ou droga; unidade hindu-muçulmano; amizade; e igualdade para as mulheres. Esses cinco pontos, os cinco dedos representando o sistema, estavam conectados ao pulso, simbolizando a não-violência.

 Gandhi com Nehru em 1929, época em que este assumiu a presidência do congresso. Finalmente em 1928, ele anunciou uma campanha de Satyagraha em Bardoli contra o aumento de 22% em impostos britânicos. As pessoas se recusaram a pagar os impostos, sendo repreendidas pelo governo britânico. No entanto os indianos continuavam não violentos. Finalmente, após vários meses, os britânicos cancelaram os aumentos, libertaram os prisioneiros, e devolveram as terras e propriedades confiscadas; e os camponeses voltaram a pagar seus tributos. 

Ainda nesse ano, o congresso indiano quis a autonomia da Índia e considerou guerra aos ingleses para conseguir esse fim. Gandhi recusou a apoiar uma atitude como esta, porém declarou que se a Índia não se tornasse um Estado independente ao final de 1929, então ele exigiria sua independência.

A "Marcha do Sal"

 Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei, de que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. "Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia.[12]

 Eu não busco danificar as pessoas.". Gandhi decidiu desobedecer as "Leis do Sal" que proibiram os hindus de fazer seu próprio sal;[12] este monopólio britânico golpeou especialmente aos pobres. Começando com setenta e oito participantes, Gandhi iniciou uma marcha de 124 milhas para o mar que duraria mais de vinte e quatro dias. 

Milhares tinham se juntado no começo, e vários milhares uniram-se durante a marcha.[1] Primeiro Gandhi e, então outros juntaram um pouco de água salgada na beira-mar em panelas, deixando ao sol para secar. Em Bombaim o Congresso teve panelas no telhado; 60.000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas. Em Karachi onde 50.000 assistiram o sal sendo feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efetuar alguma apreensão. As prisões estavam lotadas com pelo menos 60,000 ofensores.

 Incrivelmente lá "não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que Gandhi cancelasse o movimento."[12] A "Marcha do Sal" em 1930. Rabindranath Tagore e Gandhi em 1940. Gandhi foi preso antes de que pudesse invadir os "Trabalhos Dharasana Sal", mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu a não resistir às interferências da polícia. 

De acordo com uma testemunha ocular, o repórter Miller de Webb, eles continuaram marchando até serem detidos abaixo do aco-shod lathis, por quatrocentos policiais, mas eles não tentaram lutar. Tagore declarou que a Europa tinha perdido a moral e o prestígio na Ásia. Logo, mais de 100.000 hindus estavam na prisão, incluindo quase todos líderes. Gandhi foi chamado a uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. 

A Desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros;[12] a fabricação de sal foi permitida na costa; e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres. Para participar desta conferência, Gandhi viajou novamente a Londres, onde conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros.[12] Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não violenta é um modo mais consistente, humano e digno. 

Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor.

 Chaplin e Gandhi. Retrato de Gandhi em 1931.

 Enquanto, preso em 1932, Gandhi entrou em um jejum em nome dos Harijans porque a eles tinha sido determinado um eleitorado separado. Poderia ser um jejum até morte, a menos que ele pudesse despertar a consciência hindu. O assunto estava resolvido, e até mesmo templos hindus intocáveis eram abertos pela primeira vez.[12] No próximo ano, Gandhi fez um jejum de vinte e um dias para purificação, e os funcionários britânicos, amedrontados de que ele pudesse morrer, colocaram-no na prisão. Gandhi anunciou que não se ocuparia da desobediência civil até que sua oração fosse completada. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas.

 Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os Tchecos e para os chineses. "Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador" Gandhi oferecendo 15 minutos de massagem diária a um leproso no "Sevagram Ashram" em 1940. Já em 1938 ele exortou os judeus para defender os direitos deles e se necessário morrer como mártires. "Um manhunt degradante pode ser transformado em um posto tranquilo e determinado, oferecendo aos homens e mulheres desarmados, a força dada a eles por Jehovah." Mahatma recomenda o uso de Métodos não violentos aos britânicos para combater Hitler; já que não podia dar seu apoio a qualquer tipo de guerra ou matança. 

O Congresso prometeu a Gandhi que ele ficaria fora da prisão, mas outros 23.223 indianos foram presos, inclusive Vinoba Bhave, Jawaharlal Nehru, e Patel. Em 1942, Gandhi sugeriu modos para resistir não violentamente aos japoneses. Ele propôs uma atração às pessoas japonesas, a causa da "federação mundial da fraternidade sem a qual não poderia haver nenhuma esperança para a humanidade". Gandhi orando em um encontro em 1946. Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de "uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações". Nos últimos anos de sua vida, ele havia dito, "Violência é criada por desigualdade, a não violência pela igualdade". 

Ele foi a uma peregrinação para Noakhali para ajudar aos pobres. Independência para a Índia era agora iminente, mas Jinnah o Líder muçulmano estava exigindo a criação de um estado separado: o Paquistão. Gandhi prega para unidade e tolerância, até mesmo lendo às reuniões um Alcorão de orações. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Mais uma vez ele jejuou até que os líderes da comunidade assinaram um acordo para manter a paz. Antes de que eles assinassem, ele os advertiu de que se rebelassem ele jejuaria até a morte. Gandhi também, em janeiro de 1948 fez muito para acalmar os conflitos entre hindus e muçulmanos, permitindo a divisão da Índia em dois países.

O movimento pela independência indiana

 Caricatura de Gandhi sendo preso por Lord Willingdon, do início da década de 1930. 

O desenho representa a compreensão de que colocá-lo tantas vezes na prisão terminou por ser uma forma de multiplicar seus ensinamentos. 

Após a guerra, Gandhi se envolveu com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhou notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto. Por esses motivos sua prisão foi decretada diversas vezes pelas autoridades britânicas, prisões às quais sempre se seguiram protestos pela sua libertação (por exemplo, em 18 de março de 1922, quando foi sentenciado a seis anos de prisão por desobediência civil, mas cumpriu apenas dois anos). 

Outra estratégia eficiente de Gandhi pela independência foi a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra.[13] Aliada a esta estratégia estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos. Gandhi fiando, foto de 1946. Gandhi declarava que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveria gastar parte do seu dia fabricando o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, em um período em que pensava-se que tais atividades não eram apropriadas às mulheres.

 Sua posição pró-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos abriram fogo matando centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas autoritárias do governo britânico e contra a prisão de líderes nacionalistas indianos.[13] Uma de suas mais eficientes ações foi a marcha do sal, conhecida como Marcha Dândi, que começou em 12 de março de 1930 e terminou em 5 de abril,[13] quando Gandhi levou milhares de pessoas ao mar a fim de coletarem seu próprio sal ao invés de pagar a taxa prevista sobre o sal comprado. Em 8 de Maio de 1933, Gandhi começou um jejum que duraria 21 dias em protesto à opressão britânica contra a Índia.[13] Em Bombaim, no dia 3 de março de 1939, Gandhi jejuou novamente em protesto às regras autoritárias e autocráticas para a Índia.

Segunda Guerra Mundial

 Mahadev Desai lendo para Gandhi uma carta do vice-rei, em Birla House, Mumbai, em 1939. 


Gandhi passou cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha clamando pela saída dos britânicos da Índia (Quit Índia, literalmente Saiam da Índia), que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, ocasionando prisões em massa e violência em uma escala inédita.

 Gandhi e seus partidários deixaram claro que não apoiariam a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata. Durante este tempo, ele até mesmo cogitou um fim do seu apelo à não-violência, de outra forma um princípio intocável, alegando que a "anarquia ordenada" ao redor dele era "pior do que a anarquia real". Foi então preso em Bombaim pelas forças britânicas em 9 de agosto de 1942 e mantido em cárcere por dois anos.

A divisão da Índia entre hindus e muçulmanos 

Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. 

Costuma-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano.

 No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o resto da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá. Gandhi tinha iniciado um jejum no dia 13 de janeiro de 1948 em protesto contra as violências cometidas por indianos e paquistaneses.

 No dia 20 daquele mês, sofreu um atentado: uma bomba foi lançada na sua direção, mas ninguém ficou ferido. Entretanto, no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão.

 Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não-punição do seu assassino. O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges. É significativo sobre a longa busca de Gandhi pelo seu deus o facto das suas últimas palavras serem um mantra popular na conceção hindu de um deus conhecido como Rama: "Hai Ram!" Este mantra é visto como um sinal de inspiração tanto para o espírito como para o idealismo político, associado a uma possibilidade de paz na unificação.

sexta-feira, 29 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

O momento da aurora




Certo dia, um Rabino reuniu seus alunos e perguntou: 

Como é que sabemos o exato momento em que a noite acaba e o dia começa? 

Quando, à distância, somos capazes de distinguir uma ovelha de um cachorro. - Disse um menino. 

O Rabino não ficou contente com a resposta. 

Na verdade, - disse outro aluno - sabemos que já é dia quando podemos distinguir, à distância, uma oliveira de uma figueira. 

Não é uma boa definição. - Respondeu o sábio. 

Qual a resposta, então? - perguntaram os garotos. 

O Rabino falou: 

Quando um estrangeiro se aproxima e nós o confundimos com nosso irmão, este é o momento da aurora, o momento em que a noite acabou e o dia começa. 

* * * 

O amor ao próximo está em todas as crenças, em todos os tempos. 

Os mestres, os sábios, os missionários sempre ensinaram e exemplificaram esta lição, proclamando que a aurora da Humanidade virá quando descobrirmos uns aos outros, quando admitirmos que somos filhos de um mesmo Pai, que temos o mesmo objetivo e que, por isso, precisamos caminhar juntos. 

É tempo de abrir o coração para outras almas, de deixar os preconceitos de lado, as exigências descabidas, e conviver mais com as pessoas. 

Muitos têm medo de se ferir. Muitos se afastam de todos por egoísmo. 

Seja você uma exceção. Seja aquele que valoriza as amizades, aquele amigo que está sempre presente, para o que der e vier, como se diz popularmente. 

Seja aquela pessoa que gosta de ter a casa cheia, que gosta de receber visitas, que gosta de compartilhar as conquistas com os outros. 

Seja você aquele que liga para desejar Feliz aniversário, aquele que escreve um longo cartão de Natal falando do ano que se passou, e o quanto aquela pessoa lhe foi importante. 

Seja aquele amigo que destaca as virtudes do outro, que concorda e que discorda do que ele pensa, mas discorda com delicadeza e psicologia. 

Seja você alguém que cumprimenta a todos, e que receba aqueles que ainda não conhece bem, com um sorriso, com um Bom dia. 

Finalmente, seja você a aurora dos que estão à sua volta, dizendo-lhes, através de seu otimismo, que o dia se aproxima, e que a noite logo termina. 

* * * 

O momento da aurora se aproxima 

Muitas vozes já proclamam a chegada de um novo tempo 

Tempo que está no coração do homem 

Tempo que está no calor de seu abraço. 

O momento da aurora se aproxima 

E a noite será passado, e o sol será presente 

Presente para aqueles que se tornarem espelho e refletirem em seu próximo toda luz que receberem.

http://www.reflexao.com.br/?sect=mensagens&t=acaso

Redação do Momento Espírita, com base no cap. O momento da aurora, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho.

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Ser Especial



Ser especial


Conta-se que um famoso palestrante começou um seminário segurando uma nota de cem reais. Para as cerca de duzentas pessoas que se encontravam na sala, ele perguntou quem queria aquela nota.
Todos ergueram a mão.

Então, ele amassou a nota e perguntou outra vez quem desejava possuí-la. As mãos continuaram erguidas.
Ele amassou a nota um tanto mais. Depois de se encontrar bem amarrotada, a mostrou ao público e repetiu a pergunta.

Eles continuavam a querer a nota. Agora, pareciam ansiosos, esperando que ele decidisse, de uma vez por todas, quem a receberia.

Mas, o palestrante a colocou com cuidado sobre a mesa, procurando alisá-la, a fim de que melhorasse seu aspecto. Enquanto ia fazendo isso, lentamente, foi falando:

O que acabamos de vivenciar nos deve servir de grande lição. Não importa o que eu faça com o dinheiro, vocês ainda irão querer esta nota, porque ela não perde o valor.
Amarrotada, amassada, dobrada, envelhecida, enrugada, ela continuará a ter o mesmo valor, cem reais.

Pois bem. Em nossas vidas também ficamos um tanto amassados, amarrotados pelas desilusões que nos permitimos, pelas dificuldades próprias da vida, pelo cansaço que vai tomando conta de nós.

Às vezes, nos dobramos ante o peso das dores que nos chegam. De outras, o pranto que derramamos pela perda financeira ou pelo abandono de um amigo, nos deixa com aspecto doentio, enrugado. É como se nos permitíssemos murchar pela dor.

Os anos pintarão marcas em nossas faces, alterando o brilho dos olhos e a maciez da pele. As mãos perderão algo da sua flexibilidade e as pernas demorarão um pouco mais para a realização dos movimentos.

A nossa memória poderá nos pregar algumas peças, ensejando-nos trocar nomes de pessoas, esquecer datas importantes ou fatos ocorridos.

De outras vezes, poderemos nos sentir como notas sujas, pelas decisões erradas que tomamos. É quando o remorso chega e tenta se assenhorear de nossa mente.

Quando tudo isso acontece, nos sentimos homens ou mulheres sem valor.

Mas, não é verdade. Não importa quanto estejamos sujos, maltratados, amarrotados, pisados, enrugados. Continuamos a ter valor. Um valor especial.

Isso porque cada um de nós é especial. Somos espíritos imortais e se, a caminho da perfeição, passamos por pântanos, estradas solitárias e lamaçais, ainda assim continuamos a ser especiais.


*   *   *

Não entremos em depressão por descobrir que somos uma pessoa com muitas falhas.
É sempre tempo de recomeçar. Levantemos a cabeça. Tomemos a decisão. E mudemos.
Se praticamos o mal, proponhamo-nos a consertar o que for possível.

Se estamos magoados, sacudamos a poeira dos sentimentos que nos deixam doentes, observemos o dia que nasce e conscientes de que somos únicos, adentremos pelos caminhos que produzem vontade de viver.

Se, por acaso, descobrirmos que ninguém nos ama, tenhamos certeza que, acima e além de todos, quem nos criou, nos ama de forma incondicional.

Assim, espanquemos a tristeza. Acabemos com o desânimo.
Lembremos: hoje é o melhor dia de toda nossa vida. E somos seres muito, muito especiais.

Redação do Momento Espírita, com base no
artigo Para um amigo especial, de autoria
ignorada.
Em 23.4.2014.

FEDERAÇÕES ESPÍRITAS

FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DO ACRE

Federação Espírita de Alagoas

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Federação Espírita do Estado da Bahia
Federação Espírita do Estado do Ceará
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NATAL É JESUS

“Há mais, muito mais, para o Natal do que luz de vela e alegria; É o espírito de doce amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para paz, para entendimento, e para benevolência dos homens.”